Glaucoma Congênito
O glaucoma congênito é uma doença rara, acomete 1 a cada 10.000 nascidos vivos, é potencialmente grave, se não tratada imediatamente levará a cegueira irreversível da criança.
É muito importante que o pediatra reconheça os principais achados clínicos, para que possa realizar o encaminhamento ao oftalmologista e o tratamento, que é cirúrgico, seja efetuado prontamente.
O glaucoma congênito ocorre quando existe uma falha no desenvolvimento da malha trabecular, que é a porção intra-ocular responsável pela filtração do humor aquoso (líquido intra-ocular).
Classificação:
1. Glaucoma congênito primário: a anomalia de desenvolvimento se restringe ao ângulo da câmara anterior, sem nenhuma outra alteração de desenvolvimento ocular.
2. Glaucoma infantil: é sinônimo de glaucoma congênito primário, no entanto, alguns utilizam o termo para qualquer glaucoma que ocorra nos primeiros anos de vida, que deve ser explicitado.
3. Glaucoma da infância associado a anomalias: o mecanismo de obstrução trabecular é secundário, adquirido de outros eventos como inflamação ou neoplasia mais que uma alteração de desenvolvimento do ângulo por si.
4. Glaucoma juvenil: termo não específico que designa qualquer glaucoma que ocorre após os 10 anos de idade até a terceira quarta década.
O quadro cínico pode ser identificado ao nascimento ou nos primeiros meses de vida, é geralmente bilateral, assimétrico e tem predileção pelo sexo masculino (60% dos casos).
Os sinais e sintomas são muito característicos, a tríade clássica é caracterizada por :
1. Fotofobia – a criança evita ou se incomoda com a luz
2. Lacrimejamento
3. Blefaroespasmo – apertar os olhos, principalmente quando expostas à luz
A córnea, que é porção mais anterior do olho e normalmente transparente, fica edemaciada e com aspecto branco azulado, o olho fica anormalmente grande, dando origem ao termo “buftalmo”. As alterações descritas decorrem do aumento da pressão intra-ocular, pela falha na drenagem do humor aquoso.
A intensidade dos sinais e sintomas pode variar muito, então é muito importante que qualquer alteração como lacrimejamento contínuo em crianças seja devidamente investigado por um oftalmologista.


Imagens: Recém nascido com quadro de buftalmo e criança de 18 meses após o tratamento cirúrgico.
O tratamento deve ser cirúrgico, e o acompanhamento da criança deve ser contínuo, com constantes exames sob sedação, para monitorizar a pressão intra-ocular, o nervo óptico e a refração (grau) da criança.
Dra Letícia Trevisan Tecchio
