
Ceratocone (do Grego: kerato - chifre, córnea; e konos - cone), é uma desordem progressiva na qual a córnea (estrutura transparente na parte anterior do olho) adquire uma forma cônica irregular. O início da doença ocorre em torno da puberdade, com progressão lente e podendo estabilizar a qualquer momento.
O ceratocone é mais freqüente em determinadas pessoas, como as portadoras de síndromes genéticas como a síndrome de Down, de Turner, de Ehlers-Danlos, de Marfan, pessoas alérgicias e portadoras de doenças como a osteogenesis imperfecta e prolapso da válvula mitral. Os descendentes de portadores de ceratocone são afetados em 10% dos casos.
Na sua fase inicial o ceratocone apresenta-se como um astigmatismo irregular, que é a desfocagem da imagem projetada na retina, levando o paciente a trocar o grau dos óculos ou das lentes de contato com muita freqüência. Pode atingir inicialmente apenas um olho, mas acaba sempre com os dois afetados.

O diagnóstico definitivo de ceratocone é feito com base nas características clínicas e com exames específicos realizados por um oftalmologista, o exame objetivo mais importante é a topografia corneana, que mostra em imagem o formato preciso da córnea, como um mapa.
O tratamento tem a finalidade de proporcionar ao paciente a melhor visão possível. Na sua fase inicial o astigmatismo decorrente do Ceratocone pode ser tratado com óculos e lentes de contato. Com o avanço tecnológico na elaboração das lentes de contato, estas se tornaram mais confortáveis e promovem uma visão muito satisfatória para a grande maioria dos pacientes. Nos casos mais avançados em que a visão não melhora com o uso de lentes de contato, ou existem opacidades na córnea é indicada a ceratoplastia lamelar profunda ou penetrante. É o famoso transplante de córnea. A melhora da visão ocorre em mais de 85% dos casos.

Uma opção terapêutica inovadora para o Ceratocone é o Cross-link da córnea, trata-se de um método que, ao associar uma substância natural chamada riboflavina (vitamina B2) à luz ultravioleta, cria novas ligações entre as moléculas de colágeno da córnea e aumenta, assim, a sua resistência. Este procedimento tem a finalidade de impedir a progressão do cone na córnea. O ceratocone é, atualmente, uma das principais causas de transplantes ópticos no Brasil e no mundo. Acredita-se que com o cross-link do colágeno corneano haverá diminuição da necessidade de transplantes de córnea.
Dr. Arthur Schaefer
